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19 de setembro de 2011

Sangrar o doente debilita-o, não o cura

Paul Krugman lá vai insistindo no seu apelo contra a receita da austeridade que vai aniquilando a economia, não só no presente, mas com efeitos dificilmente ultrapassáveis no futuro. Não seria tempo de olhar as coisas como elas são? e deixarmos a politica do castigo? Como já muitos disseram, não vamos morrer da doença,mas corremos sérios riscos de morrer da cura


Os embaraços de Jardim

Proença de Carvalho afirmou hoje, na SIC N, que Jardim chegou a limite do seu estilo e está, com isso, a embaraçar tudo e todos.A questão é que já ultrapassou os limites há muito tempo. E voltou a ultrapassar os limites hoje ao vir negar o que disse há 2 dias. E mesmo assim no comunicado confunde, com o seu estilo, as leis da República com leis socialistas. No caso concreto a lei de endividamento zero´- Enquadramento Orçamental - é de 2002 e foi aprovada pelo Governo de Durão Barroso. Há que tirar consequências politicas, para que deixe de embaraçar o País.
Mas esta atitude de Jardim que, talvez pela primeira vez na vida, significa um recuo, agora escrito, ao que havia afirmado no "calor" de um comício, revela que está assustado e que percebeu onde se meteu com o seu estilo. É que estes actos, de encobrimento ou omissão de práticas orçamentais ilegais, quando são praticados como dolo são considerados crime. E a forma como a eles se referiu no comício é a confissão clara de que tudo foi feito conscientemente e com a intenção deliberada de furar a lei.Tudo isso em nome de uma suposta legitima defesa contra a intervenção legitima do Estado.
Será que os madeirenses estão dispostos a ajudar Alberto João Jardim a deixar o lugar a partir do qual tantos embaraços tem causado a todos, nomeadamente aos próprios madeirenses? Talvez seja uma boa altura de o ajudar a sair.

O estado da esquerda na europa

Bom conjunto de textos, sobre os desafios da social democracia na europa, podem ser vistos aqui

12 de setembro de 2011

Woody Allen no seu melhor.


Na minha próxima vida, quero viver de trás para frente.
Começar morto, para despachar logo o assunto.
Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor, a cada dia que passa.
Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.
E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, tornar-me criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer.
Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição, com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilà!" - desapareço, num delicioso orgasmo!...












3 de setembro de 2011

Morrer da doença ou da cura

Uma das razoes, entre muitas, porque nao nos devemos automedicar tem que ver com o facto de ser preciso ter os conhecimentos que permitam fazer um diagnostico completo da doenca e, depois, saber escolher a terapêutica adequada, isto é, que seja capaz de atacar o mal sem provocar desequilíbrios fatais no funcionamento do organismo
do paciente. Precisamos, por isso, de alguém que, pelo menos em teoria, assegure que nos cure da doença e não nos mate com a cura.
Vem isto a propósito da receita que está a ser aplicada para enfrentar a crise da nossa divida publica e do deficit orçamental.
Todos estaremos de acordo que, por razoes múltiplas, umas da nossa responsabilidade, outras da responsabilidade de um sistema selvagem que presidiu, e ainda preside, à governança da economia global, estamos numa situação de grandes dificuldades que tem que ser enfrentada com toda a determinação.
O acordo com a Troika é um instrumento, que, embora gostássemos de ter evitado, estabelece uma receita, que sendo difícil de executar, deixa alguma margem para opções que, internamente, permitam conduzir o comboio do nosso destino, com atenção para evitar despistes, mas sem perder capacidade de nos transportar ou atropelando os passageiros.
Na negociação desse acordo teremos conseguido evitar a receita que foi imposta à Grécia e, posteriormente, beneficiamos ainda de alterações nos mecanismos de ajuda da UE, que nos baixaram a taxas de juro e nos alargaram os prazos de pagamento.
Assim sendo tudo parecia indicar que poderíamos, sem perda de rigor e determinação no combate ao problema, ajustar a terapia evitando os efeitos secundários da sobredosagem que, tal como na saúde, só se devera aplicar em situação limite.
Ou seja, nao podemos deixar de adoptar as medidas necessárias, mas nao estamos obrigados a ir para alem disso e, muito menos quando isso pode causar efeitos colaterais que podem por em risco o próprio Pais e a sua capacidade para se levantar.
Como dizia Antonio Costa na Quadratura do Círculo, precisamos de cumprir o acordo com a Troika, mas precisamos de tempo. O tempo do acordo é suficiente. Ir mais depressa pode conduzir ao despiste.
No mesmo sentido vai Pacheco Pereira ao referir que "cumprir com zelo o programa da Troika é fundamental. Como ninguém controla com rigor a execução orçamental, admito que nesse zelo se inclua 'ir mais longe do que a troika' para haver folga para os buracos. Mas duplicar as medidas da Troika e aplicá-las no estilo martelo pilão numa espécie de volúpia de impostos, ou pior ainda ... através de cortes estatísticos, ou seja às cegas, tem um efeito destrutivo muito para alem da recessão de dois anos prevista pelos mais optimistas"
E aqui é que bate o ponto. A receita que está a ser adoptada é uma sobredosagem face à terapêutica concertada que, segundo a imprensa de hoje, ultrapassa em 6 mil milhões de euros a poupança prometida.
E esta sobredosagem tornará insuportável a vida dos pobres, que já nao aguentam mais, provocará o empobrecimento das classes medias, potenciará ainda mais a recessão da nossa economia e afectará, seguramente, a capacidade de retoma.
O ambiente que se respira é preocupante e os sinais de depressão colectiva estão aí.
Sabendo que há muita coisa que nao depende de nós e que a Europa tem que ser capaz de encontrar soluções globais e solidarias, nao seria bom parar um pouco para pensar e, como sugere Pacheco Pereira, pedir a ajuda de sociólogos, historiadores, ou apenas gente com algum saber da vida e do Pais?
É que é preciso evitar que, para curar a doença nao se morra da cura.

22 de agosto de 2011

Linha Sines-Elvas

Uma perspectiva global sobre a intervenção na ligação ferroviária de mercadorias Sines-Elvas pode ser visto aqui

linha ferroviária de mercadorias

A ligação ferroviária para mercadorias e as variáveis que precisam ser analisadas, podem ser lidas aqui numa pequena mas clara síntese. A estas acresce, como já aqui escrevi, a solução para a ligação de Sines à linha do sul.

19 de agosto de 2011

De novo as ligações ferroviárias a Espanha: clarificação e decisão rápidas precisam-se

A recente reunião, do Ministro da Economia Álvaro Santos Pereira com o Ministro do Fomento de Espanha, trouxe de novo para a agenda politica e mediática a questão das ligações ferroviárias entre Portugal e Espanha, quer no que respeita às ligações para passageiros, em alta velocidade - TGV - quer as ligações de mercadorias.
Tratando-se de duas questões extremamente importantes para a competitividade do País e para a sua integração nas redes ferroviárias europeias, importa que se chegue, rapidamente, a conclusões.
O País não aguenta mais decisões e contra decisões e o futuro da nossa economia, naquilo que é influenciado pelas comunicações ferroviárias, não ganha nada com a indecisão. Há que decidir e pôr termo às dúvidas e às incertezas dos operadores económicos.
Parece-me, sinceramente, que toda esta confusão radica em muita confusão e no ruído que, nem sempre pelos melhores motivos, se foi criando à volta deste assunto.
Quanto ao TGV, a promessa do Ministro Álvaro Pereira de que, até Setembro, haverá um plano estratégico ferroviário que esclarecerá, de vez, o seu destino, no actual contexto, uma boa noticia. Espero, sinceramente, que se faça uma avaliação completa e pragmática que considere todos os dados do problema, para cuja clarificação, a referida reunião com as autoridades espanholas, terá certamente contribuído. Aguardemos pois.
Quanto à linha de mercadorias, que aparece envolvida no mesmo pacote, embora possa ser vista com autonomia, há, da parte do Ministro da Economia, uma afirmação clara da sua importância estratégica e o compromisso de que a mesma será para concretizar com urgência. Bem precisamos que assim seja.
As nossas mercadorias, quer da produção nacional, quer das que aqui chegam, através dos portos de Sines, Setúbal e Lisboa, com destino à Europa em geral e a Espanha em particular, bem precisam de uma ligação que as consiga colocar, pelo menos na grande plataforma logística que é Madrid, de forma célere e segura, pondo fim a percursos longos e consumidores de tempo como acontece até agora.
A rentabilização dos nossos portos, nomeadamente o porto de águas profundas de Sines, está, aliás, profundamente dependente da existência desta ligação ferroviária.
A construção desta linha, sendo urgente, implica, contudo e por isso, que se esclareçam, fundamentalmente, duas questões: a) a bitola a utilizar na linha (ibérica ou europeia) e b) a opção pelo traçado entre Sines e a linha do Sul.
Qualquer destas questões está, tanto quanto sei, longe de estar esclarecida, e isso preocupa-me. Não podemos ter mais falsas partidas e, por isso, importa resolvê-las antes da decisão.
Quanto à questão da bitola, o Ministro Álvaro Pereira afirmou a opção pela bitola europeia o que, à primeira vista, poderia fazer sentido, uma vez que isso nos permitiria fazer chegar os nossos comboios até à Europa central. Contudo, para que isso aconteça é necessário passar por Espanha e, para que tal seja possível, seria necessário que Espanha dispusesse dessa bitola. Acontece é que do outro lado da fronteira, tanto quanto sei, a via é em bitola ibérica e isso impedirá a entrada dos nossos comboios que teriam que parar na "fronteira" Elvas/Caia.
Teremos, assim, que encontrar uma solução rápida que permita operacionalizar a linha de mercadorias agora, em bitola ibérica, deixando-a preparada para migrar para bitola europeia quando Espanha fizer também essa migração. Tanto quanto sei essa questão está ponderada e prevista no projecto da linha de mercadorias que está prevista, recorrendo a uma solução de travessa polivalente que permitirá, sem grandes custos, adaptar a bitola europeia quando for necessário e possível. Esperemos que haja pragmatismo na decisão. Para que possamos ter a linha operacional em tempo.
Quanto à questão do troço Sines-linha do Sul, importa recordar que há uma tensão em torno de duas perspectivas. Por um lado, há quem defenda a construção de um novo troço, através da serra de Grândola, ligando à linha do Sul na variante de Alcácer. Esta opção, que esteve em vias de ser aprovada, tendo o apoio da Administração do Porto de Sines e da Câmara Municipal de Sines, conheceu uma forte oposição dos Municípios de Grândola e Santiago do Cacém, o que levou o anterior Governo a abandonar essa opção, com o compromisso de avaliar a possibilidade de aproveitamento do actual ramal de Ermidas.
No debate que se travou nessa altura, tive a oportunidade de, enquanto Presidente da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral - CIMAL, tomar posição pública na sequência, aliás, de uma tomada de posição, de apelo a uma melhor avaliação do assunto, tomada pela própria Assembleia Intermunicipal.
Uma síntese dessa posição pode ser revista aqui.
Aí se defendia que era urgente que se promovesse uma discussão séria, envolvendo todos os agentes nacionais e locais, que permitisse encontrar a solução que melhor sirva os interesses estratégicos do porto de Sines e, simultaneamente, acautele os impactos económicos, sociais e ambientais do atravessamento da serra de Grândola.
Tanto quanto sei até agora não aconteceu nada. Não podemos tomar decisões sobre a linha ferroviária de mercadorias Sines-Poceirão-Elvas, sem previamente encontrar uma solução para o troço Sines-Linha do Sul. Penso, sinceramente, que há condições para encontrar os consensos necessários para a solução que melhor sirva.
Enquanto autarca, quer na Assembleia Municipal de Santiago do Cacém, quer enquanto Presidente da Assembleia da CIMAL, tudo farei para contribuir para que se encontrem tais consensos. Temos, agora, de novo a oportunidade de fazer o que as circunstâncias não permitiram fazer antes. Assim saibamos, todos, estar à altura das nossas responsabilidades