Ninguém pára o BCE e a sua política monetarista, cega e obstinada, que tudo sacrifica ao controlo da inflação, mesmo quando se sabe que esta esta a ser provocada pelo aumento das matérias primas e não por pressões sobre o consumo?
Será que ninguém se incomoda com os efeitos que esta política tem nas economia europeia, especialmente nas economias periféricas? Há que dizer basta.
Bem sei que a politica do BCE radica no mandato que os fundadores lhe conferiram. Mas então e onde está a política senhores? A economia é uma questão séria demais para ser deixada só a critérios económicos, ainda por cima discutíveis. A Reserva Federal Americana tem outra politica. E não consta que seja dirigida por quem não sabe o que faz.
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20 de abril de 2011
A visao tecnocratica do BCE nao é boa para enfrentar a crise
Confesso que me inquieta saber que quem esta a negociar o problema português, pelo BCE, revele uma posição tão tecnocratica sobre as causas da crise das dividas soberanas, expressa na entrevista de hoje no Publico. E espero que, quer ao nível da administração do Banco, quer ao nível político dos estados membros, se diga a estes senhores que há mais vida para alem do deficit e das crises. E que a leitura estreita da técnica não é a única forma de olhar para as coisas. Não entendo, sequer, como é que estas coisas podem ser deixadas nas mãos de quadros superiores do BCE, quando o que esta em causa é a política econômica da Uniao e dos Estados Membros. Ainda por cima há outras alternativas, que estão disponíveis, que apontam para prazos mais alargados para o pagamento do empréstimo que esta a ser negociado e, por isso, permitiriam um prazo mais confortável para o ajustamento orcamental. Como defendem alguns no FMI. Haja bom senso e política no posto de comando.
28 de março de 2011
BCE pondera aumentar a taxa de juro de referência na zona euro
Ouvi agora uma noticia que me deixou muito preocupado. O BCE prepara-se para aumentar a taxa de juro de referência que, há cerca de 2 anos, se mantém em1%. A confirmação desta noticia não ajudará nada a enfrentar a crise com que nos defrontamos. Esta provável decisão é tomada, claro está, em nome do controlo da inflação, que é a questão central do mandato do Banco. Apesar desta politica ser criticada por muitos economistas, como ainda fez hoje Krugman, as perspectivas monetaristas que comandam a acção do BCE mantêm-se. Esta posição fundamenta-se numa óptica que defende que, sempre que a inflação ultrapassa os 2%, o BCE deve intervir aumentando o juro para, assim, limitar o consumo e, com isso, controlar o aumento dos preços. Ora, sendo isto tendencialmente verdade quando a pressão inflaccionista tem origem no aumento da procura, ou seja, no aumento do consumo, importa ter em conta que a actual pressão sobre os preços não tem essa característica. A pressão inflaccionaista está, fundamentalmente, a ter origem do lado da oferta. São os preços das matérias primas, como o petróleo e também as alimentares, que estão a aumentar. E, quando isto acontece, o aumento das taxas de juro não produz, necessariamente, os efeitos desejados. Aconselho, para melhor compreensão desta tese, a visualização desta aula de economia sobre a morte e a ressurreição de Keynes. A decisão do BCE, que muitos contestam, e a confirmar-se, terá, como efeito imediato, um agravamento das condições do crédito às empresas e às famílias, ou seja, contribuirá para acrescentar mais factores de depressão na economia da zona euro e, especialmente, nos Países com mais dificuldades, como é o caso de Portugal. E isto não é, seguramente, uma boa noticia, nem para as empresas, nem para as famílias, nem, claro está, para ajudar na actual crise. O aumento da taxa de juro do BCE afectará a euribor e, por essa via, afectará, automaticamente, o aumento da prestação da casa, afectando muitos milhares de portugueses. Convenhamos que não é, exactamente, o que as famílias portuguesas precisam neste momento. Não haverá ninguém que possa meter um pouco de realismo nos processos de decisão do BCE? E a politica não pode fazer nada? Devo pedir desculpa aos economistas pelo atrevimento de me meter a comentar estas coisas. Eu, simples sociólogo. Mas parece-me que é uma questão de bom senso. Ainda por cima com o suporte em opinião de ilustres economistas.
25 de setembro de 2010
A divida publica fonte de lucro fácil para a banca
Que me desculpem os economistas e os arquitectos do sistema financeiro europeu. Na Europa, contrariamente ao que acontece nos Estados Unidos da America, o BCE não empresta dinheiro aos Estados. Por isso a única alternativa que resta a quem precisa de dinheiro para financiar o seu deficit e recorrer a emissão de titulos de divida publica e coloca-los no mercado.
O BCE, Contudo, empresta dinheiro aos bancos, a taxas de juros actualmente muito baixas - 1%.
E e com o dinheiro comprado a 1% que a banca compra divida publica portuguesa, neste mento a taxas superiores a 6%. E com os títulos de divida publica, comprados a 6%, garante junto do BCE os empréstimos que contrai a 1%.
E aquilo a que Joao Silvestre chama hoje no expresso " o ciclo virtuoso dos bancos".
Tem que ser assim? e temos que assistir todos a estas formas de geração de lucros sem esforço e sem risco ?
Percebo que quem investe tem que ter a remuneração do investimento. Mas desta maneira? E que e o banco europeu a emprestar, a juro baixo, a bancos europeus para comprarem divida publica de estados membros, a juro alto, e que depois utilizam para garantir os empréstimos do BCE. Ou seja, o BCE acaba por " comprar" divida publica por recurso a intermediário. E neste processo parece que perdemos muitos para beneficio de alguns.
Talvez seja eu que não percebo.
O BCE, Contudo, empresta dinheiro aos bancos, a taxas de juros actualmente muito baixas - 1%.
E e com o dinheiro comprado a 1% que a banca compra divida publica portuguesa, neste mento a taxas superiores a 6%. E com os títulos de divida publica, comprados a 6%, garante junto do BCE os empréstimos que contrai a 1%.
E aquilo a que Joao Silvestre chama hoje no expresso " o ciclo virtuoso dos bancos".
Tem que ser assim? e temos que assistir todos a estas formas de geração de lucros sem esforço e sem risco ?
Percebo que quem investe tem que ter a remuneração do investimento. Mas desta maneira? E que e o banco europeu a emprestar, a juro baixo, a bancos europeus para comprarem divida publica de estados membros, a juro alto, e que depois utilizam para garantir os empréstimos do BCE. Ou seja, o BCE acaba por " comprar" divida publica por recurso a intermediário. E neste processo parece que perdemos muitos para beneficio de alguns.
Talvez seja eu que não percebo.
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