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12 de maio de 2012

Sinais no socialismo europeu?

A concertação de posições na família socialista europeia é uma questão fundamental para a construção de um caminho alternativo às politicas de direita que comandam a Europa. A reunião dos lideres socialistas europeus, na véspera do Conselho Europeu de 23 de Maio,como noticia o Expresso de hoje, é, por isso, uma boa noticia. É uma iniciativa que, não sendo uma varinha mágica, marca uma nova forma de estar da família socialista. Espera-se que signifique uma efectiva mudança e que seja um sinal claro de querer encontrar uma resposta socialista europeia, única forma de enfrentar a actual crise. O Secretário geral do PS tem alguma responsabilidade na realização desta iniciativa. Está, por isso, de parabéns.

5 de maio de 2012

O Pingo Doce e a "arrogância empresarial"

A "arrogância empresarial", para usar a feliz expressão de Miguel Sousa Tavares para caracterizar a operção de marketing do Pingo Doce, parece ser a imagem de marca daquele grupo empresarial. As suas iniciativas bem podem ser consideradas excelentes operações de marketing, quando analisadas em função do seu retorno medido pela exposição mediática, como os publicitários gostam de medir estas coisas. Mas mais importante do que isso é o que tais campanhas escondem. E arrogância empresarial é uma boa expressão. E a arrogância não é, em nenhum caso, boa companheira para viver em sociedade.
Mas esta atitude arrogante, assumida com muita frequência pelo grupo, tem tido o condão de provocar uma conjunto generalizado de criticas que, por muito que contribuam para divulgar o nome da empresa, revela que a sociedade portuguesa já não come tudo o que lhe dão de forma acrítica.
E desta vez parece que a campanha poderá ter criado uma clivagem dentro do próprio governo. A diferença de posições entre Assumpção Cristas e Álvaro Pereira são disso um sinal. Entre conservadores de direita e a direita liberal há algumas diferenças. Ainda bem.
E o que aconteceu terá que ser esclarecido. Saber se houve dumping ou se as margens de lucro fora dos campanhas atingem valores colossais, não é dispiciendo para a defesa dos próprios consumidores. A economia não pode viver de marketing fazendo passar gato por lebre. esquecendo a realidade. O fetichismo do mercado e do marketing já fez demasiados estragos na economia real, como o demonstra a actual crise.

22 de abril de 2012

A esperança que vem de França

François Hollande conseguiu uma importante vitória na 1º volta das eleições francesas. A diferença é apertada e a extrema direita está à espreita. Espera-se que toda a esquerda francesa saiba encontrar-se no que é essencial para conseguir a vitória na 2ª volta. Os socialistas têm, também, que saber que sozinhos não ganharão e que lhes cabe o principal papel no encontrar das pontes que permitam a convergência de toda a esquerda. A Europa precisa de um vitória da esquerda francesa liderada pelos socialistas. Mas a liderança socialista não é construível com espirito de potência. É preciso muita humildade e capacidade para aceitar o outro. E os outros também não podem querer impôr o seu programa. Estamos todos a torcer para que seja possível encontrar um caminho vitorioso que seja um rimeiro passo para enfrentar o neoliberalismo reinante.

8 de abril de 2012

Mais economia e menos finanças

Duas entrevistas ao Expresso que merecem ser lidas pelo Governo e pelos responsáveis da Troika.
A primeira do Nobel da economia Eric Maskin alertando, mais uma vez e entre tantos outros, para o erro que representa esta politica de austeridade brutal que não permite cuidar do crescimento da economia. Porque será que ninguém ouve?
A segunda, de António Saraiva, Presidente da CIP, denunciando que temos finanças a mais e economia a menos e mostrando, com soluções concretas, como poderia ser diferente. Defende que os 6 mil milhões que não serão utilizados para reforço do capital da banca, possam ser utilizados para pagar dividas do Estado à banca com a condição de os bancos canalizarem esse dinheiro para a economia (real, digo eu, e não para jogos na bolsa como são os anunciados créditos para o negócio da Brisa) e, assim ajudando a resolver os problemas de tesouraria das empresas que têm encomendas e que não têm dinheiro para as satisfazer. Porque é que ninguém ouve o bom senso?
Esta opção seria bem mais razoável do que pensar em encaminhar, para o pagamento de dívidas do Estado, os 3 mil milhões do fundo de pensões da banca e que não teriam sido necessários para 2011. Este valor bem precisa que fique à guarda da segurança social porque bem precisa dele. Não podemos tirar da segurança social o dinheiro que lhe pertence. Ao fazê-lo estamos a afectar a sua estabilidade de médio e longo prazo.

4 de abril de 2012

Córtex Frontal: Regresso à Prova das Nove da TVI-24#links

Bem vindo Medeiros Ferreira. A sua voz faz falta.

Córtex Frontal: Regresso à Prova das Nove da TVI-24#links

Governo em desagregação?

Será que o Governo está para cair? Se não está parece. Como é possível em 24 horas tanta contradição sobre os subsidios de férias e Natal? O Primeiro Ministro desmente o Ministro das Finanças e desdiz-se a si próprio. Como é possível? Não acontece nada? Por muito menos já ouvi soar sinos de crise.

24 de março de 2012

A China em Transição

Provavelmente a mais importante noticia do Expresso desta semana vem na página 27 e, não sei porquê, não merece uma simples chamada de primeira página nem qualquer destaque.
Miguel Monjardino titula o seu oportuno artigo com um significativo "A China está em Transição", em forma de comentário ao artigo "Revolução Cultural Nunca Mais" do bem informado correspondente em Pequim António Caeiro. Aí se dá conta das movimentações no seio do Partido Comunista Chinês e do potencial de instabilidade que pode conter. Vale a pena ler. As mudanças na China, quer politicas quer económicas, são inevitáveis e isso mesmo é assumido pelos seus dirigentes. A questão é como essas mudanças se operam no seio de um gigante económico e populacional, com níveis de desigualdades tão fortes. Essa instabilidade na China é um problema de todo o mundo e não só chinês. Daí a página 27 do Expresso ser, eventualmente, o que de mais importante tem a edição desta semana.

Teixeira dos Santos na PT?


O folhetim, que ontem veio a público, da hipotética designação de Teixeira dos Santos para o CA da PT,em representação da CGD, está a atingir proporções preocupantes pelo que significam de promiscuidade entre o Estado e uma empresa privada, como é o caso da PT.
O simples facto de este assunto ser formalmente discutido no Conselho de Ministros já é preocupante. Mas o mais preocupante é que estes assuntos venham para a praça pública. se o Governo se deve pronunciar, uma vez que é o accionista da CGD, que o faça. Mas que o faça nos sítios próprios, ou seja, nas reuniões do representante do accionista com o Conselho de Administração. Parece uma questão formal mas não. A democracia e a separação de funções carecem de actos e praticas formalmente adequadas. Não basta parecer, é preciso ser.
Ouvi hoje Alberto João Jardim dizer que isto é uma vergonha. Estou de acordo com ele.É, de facto, uma vergonha. Mas não é o facto de alguém ter admitido essa hipótese. A vergonha é a forma como o governo e os dirigentes do PSD, aproveitando o palco aberto do seu Congresso, não terem a mínima continência verbal. Não só são incontinentes como dizem disparates e revelam a maior das incoerências nas matérias em questão. Teixeira dos Santos não poderá ser nada porque foi Ministro do PS. Mas o presidente da EDP e os recentemente nomeados membros do seu Conselho Geral, onde se concentra um elevado número de ex-ministros do PSD, não faz mal...é uma decisão dos accionistas privados.
Deixo aqui um sério e solidário apelo a Teixeira dos Santos. Demarque-se rapidamente deste folhetim. Não permita que o seu nome continue a alimentar a incontinência verbal que por aí vai proliferando.