Provavelmente a mais importante noticia do Expresso desta semana vem na página 27 e, não sei porquê, não merece uma simples chamada de primeira página nem qualquer destaque.
Miguel Monjardino titula o seu oportuno artigo com um significativo "A China está em Transição", em forma de comentário ao artigo "Revolução Cultural Nunca Mais" do bem informado correspondente em Pequim António Caeiro. Aí se dá conta das movimentações no seio do Partido Comunista Chinês e do potencial de instabilidade que pode conter. Vale a pena ler. As mudanças na China, quer politicas quer económicas, são inevitáveis e isso mesmo é assumido pelos seus dirigentes. A questão é como essas mudanças se operam no seio de um gigante económico e populacional, com níveis de desigualdades tão fortes. Essa instabilidade na China é um problema de todo o mundo e não só chinês. Daí a página 27 do Expresso ser, eventualmente, o que de mais importante tem a edição desta semana.
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24 de março de 2012
Teixeira dos Santos na PT?
O folhetim, que ontem veio a público, da hipotética designação de Teixeira dos Santos para o CA da PT,em representação da CGD, está a atingir proporções preocupantes pelo que significam de promiscuidade entre o Estado e uma empresa privada, como é o caso da PT.
O simples facto de este assunto ser formalmente discutido no Conselho de Ministros já é preocupante. Mas o mais preocupante é que estes assuntos venham para a praça pública. se o Governo se deve pronunciar, uma vez que é o accionista da CGD, que o faça. Mas que o faça nos sítios próprios, ou seja, nas reuniões do representante do accionista com o Conselho de Administração. Parece uma questão formal mas não. A democracia e a separação de funções carecem de actos e praticas formalmente adequadas. Não basta parecer, é preciso ser.
Ouvi hoje Alberto João Jardim dizer que isto é uma vergonha. Estou de acordo com ele.É, de facto, uma vergonha. Mas não é o facto de alguém ter admitido essa hipótese. A vergonha é a forma como o governo e os dirigentes do PSD, aproveitando o palco aberto do seu Congresso, não terem a mínima continência verbal. Não só são incontinentes como dizem disparates e revelam a maior das incoerências nas matérias em questão. Teixeira dos Santos não poderá ser nada porque foi Ministro do PS. Mas o presidente da EDP e os recentemente nomeados membros do seu Conselho Geral, onde se concentra um elevado número de ex-ministros do PSD, não faz mal...é uma decisão dos accionistas privados.
Deixo aqui um sério e solidário apelo a Teixeira dos Santos. Demarque-se rapidamente deste folhetim. Não permita que o seu nome continue a alimentar a incontinência verbal que por aí vai proliferando.
15 de março de 2012
Ainda o "TGV" e a linha de mercadorias Sines-Elvas
A saga do TGV, mesmo na versão "linha de alta prestação" mista de passageiros e mercadorias, continua a dar que falar. Como aqui se refere, a Comissão Europeia e Madrid continuam a pressionar Portugal para que avance com a obra e aproveite os fundos comunitários disponíveis.
Parece que agora será o Ministro das Finanças que não deixa ou, como outros referem, não poderia avançar porque isso poderia ser entendido como dando razão ao governo anterior.
Mas, que me perdoem os meus leitores, não posso deixar de voltar a colocar a questão, não só desta indecisão quanto ao lançamento da obra, como também quanto à falta de clarificação da solução para a linha de mercadorias.
Como várias vezes alertei neste espaço, importa que se explique como é que a linha ferroviária, de bitola europeia, levará as mercadorias até Madrid e até ao resto da Europa, se em Espanha as mercadorias circulam em bitola ibérica.
E será talvez por isto que há tanto medo em avançar com a obra. É que, se eu tiver razão, uma eventual linha de bitola europeia significará que passaremos a ter um comboio de passageiros e mercadorias ligeiras de velocidade elevada, ou seja, um TGV de velocidade mais reduzida, mas mesmo assim de alta velocidade, ficando por resolver o problema da linha de mercadorias que servirá o porto de Sines e promoveria a sua competitividade.
Por favor, decidam-se.. e, como diriam os meus conterrâneos alentejanos sobre o Alqueva, Construam-me porra.
Parece que agora será o Ministro das Finanças que não deixa ou, como outros referem, não poderia avançar porque isso poderia ser entendido como dando razão ao governo anterior.
Mas, que me perdoem os meus leitores, não posso deixar de voltar a colocar a questão, não só desta indecisão quanto ao lançamento da obra, como também quanto à falta de clarificação da solução para a linha de mercadorias.
Como várias vezes alertei neste espaço, importa que se explique como é que a linha ferroviária, de bitola europeia, levará as mercadorias até Madrid e até ao resto da Europa, se em Espanha as mercadorias circulam em bitola ibérica.
E será talvez por isto que há tanto medo em avançar com a obra. É que, se eu tiver razão, uma eventual linha de bitola europeia significará que passaremos a ter um comboio de passageiros e mercadorias ligeiras de velocidade elevada, ou seja, um TGV de velocidade mais reduzida, mas mesmo assim de alta velocidade, ficando por resolver o problema da linha de mercadorias que servirá o porto de Sines e promoveria a sua competitividade.
Por favor, decidam-se.. e, como diriam os meus conterrâneos alentejanos sobre o Alqueva, Construam-me porra.
12 de março de 2012
Não invoquem a constituição em vão
Cada vez entendo menos. Então agora procura-se um enquadramento jurídico para uma declaração que é eminentemente politica? Se, por acaso, o Primeiro Ministro José Sócrates tivesse violado a constituição, com a gravidade que lhe foi atribui...da pelo discurso politico do Presidente, tal como vem expresso no Roteiros VI, então devia ter sido demitido na altura. E não foi. Em que ficamos? Vital e Vitalino bem se esforçam por discutir a aplicação, ou não, do artigo 201 da Constituição. Fazem bem. Mas perdem tempo. O problema não tem nada que ver com a constituição. Por favor, não invoquem a constituição em vão.
10 de março de 2012
Cavaco Silva atrapalha Presidente
Cavaco Silva tem um jeito imenso para se pôr a jeito, afectando de forma séria o exercicio da função presidencial . Enquanto Presidente da República resolveu, de novo, falar como se o cidadão Cavaco Silva estivesse a desabafar perante um grupo de amigos ou envolvido numa qualquer campanha eleitoral. E sempre que confunde o lugar de Presidente com Cavaco Silva,a coisa corre-lhe mal. Tem sido sempre assim.
Agora, a propósito do 1º ano de mandato de PR resolveu desferir um ataque sem sentido a José Sócrates. Revela-se mais uma vez.
E ao olhar para os comentários nos jornais quase que não consigo encontrar ninguém que o defenda. Nem mesmo os que não gostam de Sócrates e que até concordem com o que Cavaco Silva diz. Todos lhe criticam a posição assumida. E conseguir a quase unanimidade na critica dos comentadores é obra.
Precisavamos de um Presidente, mesmo que se chame Cavaco Silva, e não de um Cavaco Silva que use o título de Presidente.
Agora, a propósito do 1º ano de mandato de PR resolveu desferir um ataque sem sentido a José Sócrates. Revela-se mais uma vez.
E ao olhar para os comentários nos jornais quase que não consigo encontrar ninguém que o defenda. Nem mesmo os que não gostam de Sócrates e que até concordem com o que Cavaco Silva diz. Todos lhe criticam a posição assumida. E conseguir a quase unanimidade na critica dos comentadores é obra.
Precisavamos de um Presidente, mesmo que se chame Cavaco Silva, e não de um Cavaco Silva que use o título de Presidente.
23 de fevereiro de 2012
A irracionalidade estratégica da privatização da REN
A privatização da REN não faz, do ponto de vista estratégico, qualquer sentido. Aliás nenhuma das redes, quer seja de electricidade, de telecomunicações e ferroviária, deveria estar na esfera privada. Trata-se de bens públicos por natureza que deveria, por isso, ficar nas mãos do Estado.
Só uma perspectiva financista, como ficou bem patente na resposta dada pelo Ministro das Finanças à pergunta dos jornalistas, pode explicar estas opções.
Os 11%, que ainda permanecem no Estado, parece que irão ser vendidos em bolsa. Ficaremos mesmo sem nada.
Estamos perante a mais pura irracionalidade estratégica.
Este caminho não nos levará a bom porto. Vejo tudo isto com muita preocupação.
Só uma perspectiva financista, como ficou bem patente na resposta dada pelo Ministro das Finanças à pergunta dos jornalistas, pode explicar estas opções.
Os 11%, que ainda permanecem no Estado, parece que irão ser vendidos em bolsa. Ficaremos mesmo sem nada.
Estamos perante a mais pura irracionalidade estratégica.
Este caminho não nos levará a bom porto. Vejo tudo isto com muita preocupação.
21 de fevereiro de 2012
À Troika o que é da Troika, à politica o que é da politica
A avaliação da Troika sobre a execução do memorando, tudo indica, vai ser positiva. Segundo a Troika, como referiu um dos deputados presentes na reunião, a execução do memorando vai no bom caminho. E, assim sendo, é normal que os homens da Troika estejam contentes. Outra coisa não seria de esperar. Como "bons tecnocratas que são" têm uma missão de controlar a execução do plano aprovado. Ponto. Não se pode pedir aos técnicos da troika o que não é suposto que façam. Não lhes compete fazer politica e, o necessário reajustamento que importa fazer, é um problema politico e carece de uma resposta politica, não técnica.
Cabe aos politicos avaliar os impactos das soluções aprovadas e reajustar o programa em conformidade.
Por isso, não me admira que os técnicos da Troika não olhem para a situação em que está o País. Ela está à vista de todos e os politicos conheçam-na.
O que me preocupa não é a avaliação que fazem os técnicos da Troika, mas a incapacidade do governo português em colocar, na agenda da politica europeia, o pedido de reajustamento, associando-se aos governos que exigem politicas de crescimento e, nesse quadro, exigir uma especial atenção para o programa de reajustamento português. E preocupa-me, ainda, ouvir o Comissário Europeu afirmar que não têm previsto fazer grandes ajustamentos nesta fase.
Seria bom que caíssem na real e que, cada um, assumisse as suas responsabilidades. O Governo português, a Comissão e o Conselho Europeu. E não queiramos, pelo menos eu não quero, que os técnicos da troika façam politica. `
À Troika o que é da Troika, à politica o que é da politica.
Cabe aos politicos avaliar os impactos das soluções aprovadas e reajustar o programa em conformidade.
Por isso, não me admira que os técnicos da Troika não olhem para a situação em que está o País. Ela está à vista de todos e os politicos conheçam-na.
O que me preocupa não é a avaliação que fazem os técnicos da Troika, mas a incapacidade do governo português em colocar, na agenda da politica europeia, o pedido de reajustamento, associando-se aos governos que exigem politicas de crescimento e, nesse quadro, exigir uma especial atenção para o programa de reajustamento português. E preocupa-me, ainda, ouvir o Comissário Europeu afirmar que não têm previsto fazer grandes ajustamentos nesta fase.
Seria bom que caíssem na real e que, cada um, assumisse as suas responsabilidades. O Governo português, a Comissão e o Conselho Europeu. E não queiramos, pelo menos eu não quero, que os técnicos da troika façam politica. `
À Troika o que é da Troika, à politica o que é da politica.
18 de fevereiro de 2012
O Acordo ortográfico visto pelo Zé Cândido
O meu amigo e afilhado, Zé Cândido, é um sábio, embora ainda não tenha idade para isso. Ele sabe, de forma profunda e simples, as coisas da língua portuguesa. Adoro ouvi-lo discorrer sobre essa matéria.
Agora decidiu meter-se nesta polémica do acordo ortográfico e presenteou-nos com um magnifico texto, cuja leitura recomendo. Seguramente que aprenderemos alguma coisa com a leitura. Pelo menos a conhecer o Zé Cândido e a sua forma de ver o mundo a partir do seu canto em Viana.
Agora decidiu meter-se nesta polémica do acordo ortográfico e presenteou-nos com um magnifico texto, cuja leitura recomendo. Seguramente que aprenderemos alguma coisa com a leitura. Pelo menos a conhecer o Zé Cândido e a sua forma de ver o mundo a partir do seu canto em Viana.
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