As manifestações que tiveram lugar ontem, nas 951 cidades em mais de 80 Países são um sinal claro do mal estar que se vive à escala global face à crise que vivemos. A ditadura dos mercados financeiros esta na origem da crise e só há uma forma de a enfrentar: uma resposta política à escala global. A Europa tem que fazer o seu trabalho e juntar se aos que, no resto do mundo, nomeadamente as economias emergentes e as forças progressistas americanas, com Obama à cabeça, têm vontade e determinação para construir um novo paradigma para a economia mundial.
Bom seria que na próxima cimeira do G20 a Europa desse sinais claros de que tem uma solução europeia para as dividas soberanas.
Nao estou muito crente em que isso aconteça. Mas os lideres europeus, incluindo os portugueses, depois nao se podem queixar, da mais que provável radicalização dos movimentos sociais.
É urgente perceber que a terapia que esta a ser usada para enfrentar a crise, nomeadamente na Europa e em Portugal, conduzirá à asfixia e, por isso, ao agravamento da crise.
Para quem achar que nao deve ouvir a rua, pelo menos que ouça os fazedores de opinião e os seus comentários na imprensa. Opiniões avisadas em todo o mundo alertam para os perigos que correm e apresentam caminhos alternativos.
Recomendo, sinceramente, a leitura do insuspeito Expresso desta semana. O sentido de todos os comentários, desde os comentadores mais à direita, ate aos mais à esquerda, passando pelo próprio editorial, é todo no mesmo sentido: um forte alerta para o perigo evidente de morremos da cura.
Por todos, recomendo a leitura do lúcido e acutilante artigo de Nicolau Santos que coloca, com justificada "raiva a nascer-lhe nos dentes", o dedo na ferida.
É tempo de olhar mais longe do que a ponta dos nossos dedos e de ter uma visão que, nao deixando de dar atenção à necessidade do controlo das contas publicas e da divida, seja capaz de não se ficar por aí.
Como refere Nicolau Santos, é preciso assumir que, no caso de Portugal e de outros Países que enfrentam problemas, precisamos de mais tempo para o ajustamento e de mais algum dinheiro e mais barato, para dar vida à nossas economia e, assim, podermos sair da crise sem morrer no caminho.
E isso só poderá acontecer no quadro de uma resposta europeia.
Número total de visualizações de páginas
16 de outubro de 2011
1 de outubro de 2011
A Reforma Autárquica: Uma oportunidade para racionalizar e modernizar o poder local
A reforma autárquica anunciada, no recente documento verde apresentado pelo Governo vai, em termos gerais, no bom caminho. Na continuidade do trabalho que vinha sendo feito pelo anterior Governo do PS, o documento agora divulgado contempla aspectos importantes para a modernização e racionalização do poder local. E bom será que se perca a tentação de a justificar por razões de natureza financeira. De facto, não sendo esta questão despicienda, importa reconhecer que esta não deve ser a sua principal motivação. A redução de despesas poderá ser o resultado de um processo que deve visar, acima de tudo, adequar o poder local democrático - que se consolidou a seguir ao 25 de Abril, retomando a tradição municipalista portuguesa interrompida pelo Estado Novo - aos novos desafios colocados pelas mudanças verificadas na sociedade portuguesa, preparando-o para enfrentar, com a mesma eficácia que tem demonstrado, uma nova geração de politicas autárquicas.
A alteração do sistema de governo dos Municípios, com a constituição de "Executivos homogéneos", quer de um só partido, quer resultando de coligações claras e assumidas, com a possibilidade de constituição das equipas de entre eleitos da Assembleia Municipal, vem introduzir condições que melhorarão, sem dúvida, o funcionamento dos executivos, ao mesmo tempo que se reforçam os poderes de fiscalização das Assembleias Municipais.
A racionalização de estruturas, através da fusão de freguesias, devidamente ponderada, poderá, igualmente, ser uma boa solução para uma melhor gestão dos territórios, tirando proveito das economias de escala que poderão ser conseguidas e que, certamente, contribuirão para fortalecer as Freguesias dotando-as de meios que permitirão uma mais eficaz intervenção de proximidade junto das populações.
O factor crítico de sucesso da reorganização do mapa das freguesias é, seguramente, evitar a pressa e conseguir um efectivo envolvimento das populações e dos seus autarcas.
A fusão de Municípios, sendo um tem mais complexo e, por isso, a requerer muito maior atenção e sensibilidade, não deve, contudo, ficar de fora deste processo.
Os momentos de crise são, por vezes, oportunidades para de fazer o que parece óbvio mas que visões paroquiais impedem.
Que tal, para começar, lançar um apelo ao lançamento de experiências piloto de fusão de municípios, tendo por base uma adesão voluntária dos municípios actuais?
Parece que Rui Rio lançou o desafio Porto/Gaia. Parecendo um desafio mais motivado por questões locais e de picardia nas margens do Douro, mesmo assim, não deixa de ser uma ideia interessante.
Porto e Gaia são duas grandes cidades que rivalizam a disputa da centralidade no Douro e na área Metropolitana do Porto e, por isso, uma tal proposta não parece estar destinada ao sucesso. Nem sei se seria uma boa ideia atendendo à dimensão da autarquia daí resultante.
Mas que dizer de casos de pequenos municípios que muito poderiam ganhar com o aumento de escala? Há situações em que uma experiência, com adesão voluntária, poderia revelar bons resultados.
O Litoral Alentejano é, em minha opinião, um desses casos. Quer olhado como o conjunto de 5 municípios, quer como agrupamentos 2+2+1. Aqui fica a ideia que, admito, posa parecer provocatoria, mas que merece ser reflectida.
Poderemos, no Litoral Alentejano, ousar pensar e enfrentar uma discussão desta natureza, sem qualquer complexo ou ideias preconcebidas?
28 de setembro de 2011
Ainda as ligações ferroviárias a Espanha
As ligações ferroviárias a Espanha continuam na agenda e não me parecem, ainda, esclarecidas.
A ligação directa de mercadorias, ao Norte e Centro da Europa, constitui, sem duvida, uma mais valia para as nossas exportações.
Para que isso aconteça é preciso que adoptemos a bitola europeia, como tem referido o Ministro da Economia e os diferentes agentes económicos, como foi o caso, ainda hoje, do Director da Autoeuropa em declarações ao Jornal de Negócios.
Isto é consensual e não merece, por isso, contestação.
O problema está em como consegui-lo.
É que, tanto quanto sei, em território espanhol as mercadorias não circulam em bitola europeia mas sim em bitola ibérica. E, assim sendo, uma opção imediata por bitola europeia do lado português, obrigara a transição de equipamento na fronteira luso-espanhola, quer no Caia, para a ligação que serve o porto de Sines, quer em Salamanca, para a ligação de Aveiro e que, agora, voltou a ser colocada em cima da mesa peloactual Ministro.
E o problema parece não estar resolvido, a avaliar pela declaração, atribuída ao Ministro Álvaro Santos Pereira pelo Jornal de Negócios, segundo a qual o ministro salienta a importância de que Espanha avance com os projectos de ligação ao resto da Europa.
Seria importante que se esclarecesse esta questão. E, se for caso disso, não ter problemas em adoptar a solução que estava projectada anteriormente e que previa a construção da infra-estrutura com travessa polivalente. Isto permitiria a utilização da bitola ibérica enquanto Espanha não tem bitola europeia e migração para esta quando estivesse reunidas condições do outro lado da fronteira. Apelo, mais uma vez, ao esclarecimento desta questão e a que não seja esquecido o problema do troco Sines-Poceirão que, a não ser resolvido convenientemente, poderá por em causa a rentabilidade da própria linha e do próprio porto de Sines.
A ligação directa de mercadorias, ao Norte e Centro da Europa, constitui, sem duvida, uma mais valia para as nossas exportações.
Para que isso aconteça é preciso que adoptemos a bitola europeia, como tem referido o Ministro da Economia e os diferentes agentes económicos, como foi o caso, ainda hoje, do Director da Autoeuropa em declarações ao Jornal de Negócios.
Isto é consensual e não merece, por isso, contestação.
O problema está em como consegui-lo.
É que, tanto quanto sei, em território espanhol as mercadorias não circulam em bitola europeia mas sim em bitola ibérica. E, assim sendo, uma opção imediata por bitola europeia do lado português, obrigara a transição de equipamento na fronteira luso-espanhola, quer no Caia, para a ligação que serve o porto de Sines, quer em Salamanca, para a ligação de Aveiro e que, agora, voltou a ser colocada em cima da mesa peloactual Ministro.
E o problema parece não estar resolvido, a avaliar pela declaração, atribuída ao Ministro Álvaro Santos Pereira pelo Jornal de Negócios, segundo a qual o ministro salienta a importância de que Espanha avance com os projectos de ligação ao resto da Europa.
Seria importante que se esclarecesse esta questão. E, se for caso disso, não ter problemas em adoptar a solução que estava projectada anteriormente e que previa a construção da infra-estrutura com travessa polivalente. Isto permitiria a utilização da bitola ibérica enquanto Espanha não tem bitola europeia e migração para esta quando estivesse reunidas condições do outro lado da fronteira. Apelo, mais uma vez, ao esclarecimento desta questão e a que não seja esquecido o problema do troco Sines-Poceirão que, a não ser resolvido convenientemente, poderá por em causa a rentabilidade da própria linha e do próprio porto de Sines.
Autoeuropa-boas noticias de Palmela
Boas Noticias de Palmela. A Autoeuropa aumentou, até Agosto, em 53,2%, a sua produção em termos homólogos prevendo um crescimento anual de 20 a 30% face a 2010, o que corresponde a 134 mil carros a produzir em 2011.
O futuro parece assegurado, sendo que para isso não será irrelevante o facto de, ainda este ano, se começar a fabricar o modelo Sharan para o mercado chinês.
Refira-se ainda que a fabrica tem vindo a aumentar a incorporação nacional, sendo de 60% o peso dos produtos portugueses, o que significa uma compra anual de 500 milhões de euros a fornecedores nacionais.
Outro motivo de satisfação é o aumento de emprego que, em 2011, subiu 8% face a 2010.
A inteligência, com que trabalhadores e empresa têm sabido gerir o processo de consolidação da fabrica, é um bom exemplo para que todos deveriam olhar.
O futuro parece assegurado, sendo que para isso não será irrelevante o facto de, ainda este ano, se começar a fabricar o modelo Sharan para o mercado chinês.
Refira-se ainda que a fabrica tem vindo a aumentar a incorporação nacional, sendo de 60% o peso dos produtos portugueses, o que significa uma compra anual de 500 milhões de euros a fornecedores nacionais.
Outro motivo de satisfação é o aumento de emprego que, em 2011, subiu 8% face a 2010.
A inteligência, com que trabalhadores e empresa têm sabido gerir o processo de consolidação da fabrica, é um bom exemplo para que todos deveriam olhar.
A propósito do 28 de Setembro. um video de um ano de revolução
A propósito do aniversário do 28 de Setembro fui encaminhado para um video da RTP sobre 1 ano de revolução, onde o assunto é tratado. Guardo-o aqui neste meu espaço par ap oder visitar sempre que precisar.
Reflectindo sobre as causas e as saídas para a crise
A crise que vivemos é grave. As suas causas são internas e externas e as soluções também. Dois bons textos no Expresso sobre as origens da crise-Miguel Sousa Tavares- e sobre as saídas - António Vitorino. Leitura recomendada. Há saídas. Assim a Europa acorde a tempo e nós saibamos fazer bem o que temos que fazer, resistindo ao excesso de zelo e evitando morrer da cura.
22 de setembro de 2011
Dívida pública online
Isto de ter um contador online da evolução da dívida pública de diferentes Países é muito giro. Não sei se isto é credível ou não, mas resolvi guardar para ir monitorizando.
21 de setembro de 2011
Dilma Russef fala alto na AG da ONU
Ouvir leituras lúcidas e inteligentes sobre a crise e as forma de lhe fazer frente é sempre bom. Quando essas leituras são feitas em português, sabem ainda é melhor. E quando isso é feito pela Presidente de um dos grandes da economia mundial, como é o caso do Brasil, sabe ainda muito melhor.
Pois é. Dilma Russef, Presidente do Brasil, falou sobre a crise, na Assembleia Geral das nações Unidas, e foi directa ao assunto.
Dizia ela, citando de memória, que a crise que vivemos é demasiado importante para que a sua resolução possa ser deixada nas mãos de meia dúzia de Países. A crise afecta todos e, por isso, tem que ser resolvida com o concurso de todos.
Acrescentou, ainda, que não é por falta de recursos financeiros que os países desenvolvidos não encontram soluções para a crise. É, sim, por falta de recursos políticos que impedem que se encontrem alternativas ao actual modelo de desenvolvimento.
É bom ouvir estas coisas tão simples, mas tão evidentes e necessárias, ainda por cima ditas em Português.
É isso aí Presidente Dilma.
Pois é. Dilma Russef, Presidente do Brasil, falou sobre a crise, na Assembleia Geral das nações Unidas, e foi directa ao assunto.
Dizia ela, citando de memória, que a crise que vivemos é demasiado importante para que a sua resolução possa ser deixada nas mãos de meia dúzia de Países. A crise afecta todos e, por isso, tem que ser resolvida com o concurso de todos.
Acrescentou, ainda, que não é por falta de recursos financeiros que os países desenvolvidos não encontram soluções para a crise. É, sim, por falta de recursos políticos que impedem que se encontrem alternativas ao actual modelo de desenvolvimento.
É bom ouvir estas coisas tão simples, mas tão evidentes e necessárias, ainda por cima ditas em Português.
É isso aí Presidente Dilma.
Subscrever:
Mensagens (Atom)