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21 de fevereiro de 2011

Daniel Oliveira e a moção de censura do Bloco

Caro Daniel Oliveira Gostaria de saudar a posição face à moção de censura do BE. Não por eu estar de acordo com ela que, sendo bom, não releva para o que quero dizer. O que Me faz saúda-lo é a lucidez e a clareza da sua posição, que ouvi em directo no debate com Luis Delgado e que, tal como ele, tive a sensação de estar perante uma declaração histórico, vinda de si. Registo, por isso a coragem. E a analise das motivações profundas da atitude do Bloco. Para alem de uma posição de despique com o PCP, própria de uma das correntes do Bolco, que conheço bem, não deve ser ignorada a predisposicao para a agitação permanente, sem qualquer objectivo que não seja ser do contra, que caracteriza a outra corrente presente e liderante do Bloco. Penso, sinceramente, como dizia a Clara Ferreira Alves, que com estes dirigentes do Bloco não há nada de útil a esperar. Tal como Antonio Costa, também considero, com esta postura, o BE como um partido inútil. Mas o drama é que a política portuguesa precisa de forcas políticas â esquerda que, com as suas patticularidades, possam, com o PS, construir soluções de governabilidade à esquerda. E há, na área do Bloco, pessoas que poderiam protagonizar esse movimento de transformcao. Há exemplos bem sucedidos desse tipo de solução como é o caso dos verdes alemães que, com o SPD, desempenharam um papel importante na política alemã. Espetemos que por ca aconteça alguma coisa. Seria bom.
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Solidariedade Ibérica na Cimeira do G20

A Ministra da Economia de Espanha assumiu, na cimeira do G20, em Paris uma posição em defesa de Portugal, de acordo com o que diz a imprensa.

A propósito de um apelo de Jean Claude Junker, especialmente dirigido a Portugal, Sobre a necessidade de boa execução das medidas de austeridade, a Ministra espanhola afirmou que Portugal tomou aa medidas adequadas e, por isso, assegurara o cumprimento dos compromissos relativos ao controlo do deficit.

Não tendo Portugal assento neste fórum, é bom saber que temos a solidariedade dos nossos vizinhos. A solidariedade ibérica e o concerto de posições entre os dois estados é uma questão estratégica para enfrentar a presente crise e reforçar o lugar da península e da comunidade ibero-americana e Lusofona no concertacao internacional.

A posição assumida por Espanha é, pelo que significa, de saudar.

Duas Mensagens, dois caminhos para combater o deficit publico na Uniao Europeia

Na cimeira do G20, realizada em Paris, Jean Claude Trichet, do BCE e Strauss khan, do FMI, pronunciar-se sobre a necessidade de a Europa tomar medidas para combater os deficits públicos dos Paises Europeus. O presidente do BCE enfatizou as medidas de austeridade como a solução. Do lado do FMI vem uma mensagem enfatizando a necessidade de políticas que favoreçam o crescimento da economia.

Dua posições diferentes para enfrentar a mesma realidade e os mesmos problemas.

Como poderia ser diferente a política europeia se, em França, tivéssemos Strauss Khan como presidente.

Pode ser que aconteça nas próximas eleições.

20 de fevereiro de 2011

Jacarandás de Lisboa

Ainda enm teste de aprendizagem de carregamentos, aqui fica uma imagem linda de Lisboa com jacarandás em flor..dentro em breve será de novo assim..com a Torre de Belém em fundo..linda fotografia da minha amiga Silvia Rato



Este magnifico dueto de dois monstros das canções é para teste de inserção de videos no meu blog..se resultar fica aqui uma preciosidade..

Santiago do Cacém na France Catholic

Num artigo sobre a história da lenda da imagem de São Tiago Matamouros, que figura no brasão de Santiago do Cacém, esta cidade do Litoral Alentejano é referenciada na importante revista católica France Catholic.
Santiago do Cacém é um dos mais importantes pontos do Caminho de Santiago da península, e esta referência terá, por certo, importância na divulgação internacional da noss aregião e do nosso País, como centro importante do turismo religioso e dos caminheiros de Santiago.
Aqui fica o artigo para que nele tiver interesse.





9 de janeiro de 2011

Uma Homenagem merecida a Vitor Alves

Morreu hoje, dia 9 de Janeiro de 2011, Vítor Alves que, com mais um grupo de corajosos militares, concebeu e dirigiu as acções que, em 25 de Abril de 1974, puseram termo a 48 anos de ditadura.
Vítor Alves mereceria, só por isso, o nosso profundo respeito. Presto-lhe aqui, neste dia triste, a mais sentida homenagem.
Os tempos atribulados, que se seguiram a essa manhã libertadora, criaram tensões entre aqueles que estiveram juntos nessa madrugada e deram origem a caminhos nem sempre coincidentes e nem sempre pacíficos.
Vítor Alves escolheu o seu campo e integrou o chamado Grupo dos Nove, com Melo Antunes e outros. Este grupo politico-militar haveria de ganhar preponderância e, a partir do Verão quente de 75, assumiria o "controlo" da situação e viria a sair vencedor em 25 de Novembro, "derrotando" os outros grupos politico-militares organizados em torno de Vasco Gonçalves e outros militares mais próximos do PCP e de Otelo Saraiva de Carvalho e outros militares mais próximos dos movimentos da esquerda revolucionária.
Não pretendo discutir este período atribulado da nossa história recente. Para isso não teria competência nem informação bastante. Nem pretendo tomar partido sobre esse mesmo período.
Todos tínhamos, nessa período rico da nossa história, o nosso lado. E o meu não era o de Vítor Alves.
Fiz esta breve introdução simplesmente para localizar o período em que contactei de perto Vítor Alves e construi a consideração e respeito que por ele ganhei. E essa consideração e respeito ganha maior importância porque foi construída na "luta". Ele dum lado e eu, com muitos outros, doutro lado. Mas sempre com um profundo respeito.
E é por isso que sinto vontade de, nesta ocasião, deixar um testemunho pessoal que, sem qualquer pretensão de escrever história, não deixará de ser um registo para quem queira conhecer aspectos particulares desse período. Vítor Alves merece-o.
No rescaldo do Verão quente e com o colapso do V Governo Provisório, liderado por Vasco Gonçalves, forma-se um VI Governo Provisório, liderado pelo Almirante Pinheiro de Azevedo. Do elenco governamental constava, de forma um pouco inesperada, o major Vítor Alves como Ministro da Educação.
Eu trabalhava, nessa altura, na então Direcção-Geral da Administração Escolar. E, nessa altura, as coisas andavam muito agitadas na função pública.
No INE assistia-se a uma forte contestação laboral, dirigida por sectores políticos que me eram próximos. Aí teria lugar a primeira greve prolongada de um serviço da Administração Pública portuguesa. Durante 28 dias os trabalhadores do INE paralisaram os serviços.
Também no Ministério da Educação começava a entrar em ebulição. Os trabalhadores da então Direcção-Geral da Educação Permanente tinham iniciado uma luta pela integração nos quadros dos tarefeiros que aí prestavam serviço e esse movimento deu o mote para que outros serviços se lhe juntassem. Nascia, então, o movimento que ficou conhecido por "Reparação de Injustiças".
Para isso constitui-se, à margem das estruturas Sindicais lideradas por forças ligadas ao PCP, aquilo a que, na altura, se designou por Intercomissões de Trabalhadores do Ministério da Educação.
E é aqui que entra Vítor Alves.
Mal tinha ainda tido tempo para ocupar o Gabinete do 12º andar da Avenida 5 de Outubro, Vítor Alves foi solicitado a receber esta estrutura de Comissões de Trabalhadores. Marcou, com uma rapidez que não esperávamos, a reunião solicitada.
Calmo, como sempre o conheci, ouviu-nos, ouviu o nosso caderno reivindicativo e prometeu uma resposta em 15 dias.
Tínhamos, em diálogo connosco, um militar de Abril, de trato afável, compreensivo e que mais parecia um civil e que demonstrou, logo nessa altura, ter espírito democrático e dialogante. A primeira impressão foi, por isso, boa.
Ficamos, pois, esperançados, apesar da desconfiança "militante" que caracterizava os lideres dos movimentos reivindicativos da época que ,neste caso, se reclamavam da chamada esquerda revolucionária. Deixámos, por isso,uma "ameaça": estávamos decididos a avançar para uma greve se, findo esse prazo, não tivéssemos uma resposta positiva.
Durante esses 15 dias não aconteceu nada de especial. Aguardávamos uma resposta. Como havia sido prometido.
Findo o prazo fizemos o que nos competia. Contactámos o Gabinete de Vítor Alves, através de Maria João Seixas, então membro do Gabinete de Vítor Alves - não sei se era Secretária ou Assessora, mas seguramente uma grande amiga do militar de Abril, para além de uma grande senhora da cultura portuguesa, que também conheci nessa época e que vim a encontrar anos mais tarde como Assessora para a Cultura do Primeiro Ministro António Guterres - e do sempre chefe de Gabinete Comandante Cavaleiro Ferreira, para marcar uma audiência. Foi marcada quase de imediato.
Fomos recebidos com toda a naturalidade. O Ministro Vítor Alves não tinha, contudo, respostas para as nossas reivindicações. Propunha-nos iniciar um processo negocial.
Como vivíamos a época de "JÁ", respondemos que sim senhor. Iniciaríamos um processo negocial mas a greve começaria no dia seguinte.
E assim foi. No dia seguinte realizaram-se RGT's - Reuniões Gerais de Trabalhadores - em todos os serviços do Ministério e a proposta da Intercomissões, de iniciar uma greve pela reparação de injustiças, seria aprovada quase que por unanimidade nos diferente locais de trabalho.
Iniciava-se, assim, a segunda mais significativa greve de trabalhadores da Administração Pública, a seguir à greve do INE, mas desta vez envolvendo um Ministério inteiro. O Ministério da Educação permaneceu parado durante 9 dias seguidos.
Recordar esse tempo é recordar um processo inesquecivel. Em cada um dos 9 dias de greve se realizavam plenários de trabalhadores, com início às 9 horas da manhã. Com níveis de participação indescritíveis. Os trabalhadores compareciam todos em massa. Em todos os locais de trabalho.
O processo negocial desenvolvia-se pelas noites dentro. Discutia-se com a equipa governamental durante a noite e com os trabalhadores no dia seguinte. Nada se decidia sem ouvir os trabalhadores.
A Intercomissões montou o seu quartel general no Gabinete do Director-Geral da Administração Escolar, no 5º andar da Av. 5 de Outubro, porque o lugar estava vago, com a saída do então Director-Geral, e meu amigo, Eng. Prostes da Fonseca.
Aí se afinava a estratégia - nem sempre de forma pacífica e muitas vezes muito tumultuosa - se ultimavam as propostas.
Propostas feitas discutiam-se pela noite com o Governo. No dia seguinte voltava-se aos plenários. E assim foi durante 9 dias e 8 noites.
Nove dias depois chegávamos a acordo que foi consagrado num documento que, de forma exaustiva, fixava os critérios a que deveria obedecer o processo de reparação de injustiças no Ministério da Educação.
Esse acordo está escrito e foi, talvez, o primeiro documento de negociação colectiva da história dos processos negociais da Função Pública.
Está assinado, pelo Governo, por Vítor Alves e, pelos trabalhadores, pelo Secretariado da Intercomissões. É um documento histórico de um processo reivindicativo que faz parte, de pleno direito, da história do movimento sindical da função pública.
No fim da greve,numa altura em que nem sequer havia lei da greve e em que não era pacífica nem clara a sua permissão na função pública,importava saber se os dias de greve deveriam ser descontados nos vencimentos dos trabalhadores.
Identificado e discutido o problema, rapidamente se chegou a acordo com o Ministro Vítor Alves: Os dias de greve não deveriam ser descontados. E não foram.
Por vicissitudes várias, que agora seria fastidioso contar, o processo de reparação de injustiças, não viria a concretizar-se completamente como foi acordado. E talvez, visto à posteriori, não o devesse ter sido.
Mas não é isso que interessa aqui e agora.
O que quis, com este testemunho que só me responsabiliza a mim- no qual omito os nomes dos intervenientes neste processo,não só porque não tenho o direito de os revelar sem lhes perguntar, mas também porque, estando a escrever de memória, me poderia esquecer de algum, passados que são 36 anos sobre os acontecimentos - foi prestar uma homenagem a Vítor Alves,com que construímos uma relação de respeito e cumplicidade e, diria mesmo, de amizade, que nos permitia, quando nos encontravámos, recordar, sem qualquer mágoa , esses momentos difíceis mas que, estou certo, contribuíram para aprofundar o processo de aprendizagem de vivência democrática que Vítor Alves, tão bem, soube protagonizar.
A grandeza de Vítor Alves, como grande senhor e grande democrata que era, levou-o a aceitar participar, a convite da Intercomissões de Trabalhadores do Ministério da Educação, num jantar realizado na Churrasqueira do Campo Grande, para confraternização dos protagonistas de ambos os lados. Que afinal, e muito provavelmente, era só um.
No dia de hoje, em que nos deixa um dos mais ilustres militares de Abril, deixo esta modesta homenagem a um homem que aprendi a respeitar e em que, estou certo, sou acompanhado por todos os que com ele conviveram e viveram aquela aventura.
HONREMOS A MEMÓRIA DE VÍTOR ALVES.
OBRIGADO VITOR ALVES

PS: Escrevi este texto de memória, sem consulta a qualquer documento, pelo que o mesmo pode conter uma ou outra imprecisão. Que me desculpem os que, comigo, viveram estes momentos e que, eventualmente, tenham outra leitura dos factos.
A minha motivação foi, tão só, deixar neste dia, um registo de uma homenagem merecida a Vitor Alves.

3 de dezembro de 2010

A César o que é de César

Carlos César surpreendeu-nos hoje com uma decisão, que sendo aparentemente legal, porque será assumida no uso dos poderes da Autonomia, não lembra ao diabo.
E como dizia Henrique Monteiro na SIC Noticias ainda há pouco, não estamos a falar de legalidade, mas sim de politica. E, do ponto de vista politico, o que o Governo Regional dos Açores se prepara para fazer é um autêntico tiro no pé e uma atitude de desrespeito e de falta de solidariedade com as medidas difíceis que o Governo da República acaba de tomar. Não há nada que justifique tal atitude. Digo-o com pena e, enquanto socialista, manifesto aqui o meu desejo de que o Governo Socialista dos Açores mude de ideias e recue nesta intenção.
Para afirmação de Autonomia já chegou o braço de ferro a propósito do estatuto dos Açores. Também aí se foi longe de mais, em prejuízo, aliás, e em minha opinião, do PS no seu todo.
Esta crítica que aqui deixo, de forma clara, ao anúncio do Governo dos Açores, não significa que não reconheça a Carlos César o direito de discordar da medida tomada pelo Governo da República quanto à redução dos salários da função pública.
Discordar é um direito democrático de todos. Mas discordar é uma coisa, e podia tê-lo manifestado em tempo e lugar próprio, quer enquanto militante e dirigente do PS, quer enquanto Presidente do Governo Regional. Agora tornear as leis da República é outra coisa e não fica bem ao Presidente de um Governo Regional. Para desobediência regional já nos basta Alberto João Jardim que, aliás, aproveitou o facto para fazer demagogia, como se não tivesse já feito coisas semelhantes. Mas com as atitudes de Jardim posso eu bem.
A atitude de Carlos César quase que se assemelha à antecipação de dividendos por parte de grandes empresas para fugir à tributação prevista no OE. É legal, mas éticamente reprovável.